MÉDICOS EM CONFLITO.


Apesar dos grandes avanços da tecnologia dos meios de diagnóstico e das conquistas no segmento da farmacologia, exercer a medicina hoje está cada vez mais difícil.

O alto custo dos modernos equipamentos de diagnóstico e a infra-estruturar hospitalar de ponta, torna-se acessível só nos grandes centros, tornando as cidades de menos de 200 mil habitantes desprovidas dessa moderna tecnologia.

A perda da relação direta entre o paciente e o médico fica restrita a um número cada vez menor , pois a maioria passa a ter entre si, a figura do convênio privado ou do governo. Essa intermediação cada vez mais desgasta esse relacionamento o que contribue para dificultar o exercício da medicina.

Outro fator também preocupante é a mercantilização da medicina que cresce a cada dia, com a indústria dos exames de diagnóstico e a intermediação na comercialização de próteses e medicamentos de alto custo, em especial, na área oncológica. Isto pode levar o interesse financeiro, como meta, em detrimento ao objetivo principal que é sempre melhorar a qualidade de vida do paciente como um todo.

A falta de uma política de investimento na prevenção ambulatorial e de políticas de saneamento básico associada ao crescimento urbano desordenado gera uma legião de doentes que poderiam ser evitada, o que reduziria os custos, assim como a padronização das condutas médicas.

Pronto atendimento com número excessivo de pacientes a serem consultados em plantões de 12 ou 24 horas- aqui em Feira de Santana, nos PS particulares um médico atende a mais de 150 pacientes em 24 horas de plantão. Problema esse agravado por falta de leitos em UTI e nas enfermarias.

Com vários empregos, estes, na maioria sem oferta de boas condições de trabalho, para alcançar um padrão médio de vida o médico passa a ser um paciente em potencial, principalmente de distúrbios psicológicos e cardiovasculares . Estima-se que o médico viva em média 10% a menos do que a média de vida dos seus pacientes.

Na realidade os nossos curadores estão vivendo cada vez com conflitos existenciais que os levam precocemente a serem vítimas desse sistema capitalista consumista, onde o mais importante é ter em detrimento do ser.

Eduardo Leite
gastroajuda@hotmail.com
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Um comentário:

Simplesmente Outono disse...

Não publica mais meus comentários? Fico triste assim.
Saudade de sua presença em minha estação.
Abraço pelo dia do médico com todo e devido respeito.

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